terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Eu sei, mas não devia. (Marina Colasanti)



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Marina Colasanti)



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pare de Reclamar!


Li esse texto há um tempo atrás no livro "Yoga para Nervosos", do Professor Hermógenes e dei uma resumida.
Fim de semana passado, junto com minhas amigas, uma delas falou sobre parar de reclamar. E ela disse que já estava há alguns dias sem reclamar de nada. Achei isso super interessante, visto que temos a mania de reclamar de coisas tão supérfluas, que nem percebemos. Só que essa mania não é saudável, acaba viciando e acaba nos deixando amargos. Por isso também decidi me policiar, e vou tentar não reclamar de nada essa semana. Porque não reclamar de nada nunca ainda me parece meio impossível. Até porque, as vezes se faz necessário.


Segue o texto:


"Ninguém é mendigo pelo que não possui e sim pelo que anda mendigando.
Ninguém é rico pelo que tem, mas pela espontânea prodigalidade com que distribui.
Ninguém pode ter admiração por um sujeito que anda à caça de ser admirado. Quem pode respeitar aquele cuja maior preocupação é fazer-se admirado?
Se você tem cometido o erro de reconhecer-se vazio de muitas coisas e, no sentido de preenchê-las, vive a solicitar do mundo e dos outros que lhe concedam favores, que lhe atendam os rogos, você dificilmente será feliz.
Primeiro, porque o mundo e as pessoas não gostam de atender aos vazios, aos indigentes, aos dependentes, aos que se reconhecem fracos, incompletos, carentes de respeito, desamados, incompreendidos, necessitados, deserdados. . . Em segundo lugar, porque você se está enterrando na infelicidade ainda mais, pelo fato de reconhecer-se carente, decaído, necessitado, fraco, incapaz, miserável; por estar criando um auto-retrato negativo e mórbido.
Se você é positivo, emitindo, distribuindo, ofertando, ajudando, compreendendo, estimulando, criando, irradiando, se se fez um auto-retrato positivo, será cada vez maior sua riqueza, maior a expansão de si mesmo, maiores os transbordamentos sobre os limites precários do humano ser "normal". Se você, esquecido das incompreensões de que tem sido vítima, gosta de dar compreensão a todos, virá a vencer também neste aspecto da vida.
Quem pede está vazio. Quem oferta tem para dar.
Quem se lamenta atrai maiores razões para mais se lamentar.
Chegou a hora, meu amigo, de pensar em viver à sua própria custa, com seus recursos, com o pouco que possa ter, contentar-se com o que tem, de recusar-se a mendigar, a depender do que lhe concederem...
Não por orgulho ou vaidade, mas por medida profilática, isto é, para evitar afundar-se nos escuros domínios da indigência material, psíquica e espiritual.
Vamos fazer esta experiência?
Se até hoje, por palavras, gestos de desânimo, olhar indigente, gemidos e mesmo através das descrições de seus sintomas,comportou-se como alguém que mendiga piedade, simpatia, palavras de caridade ou qualquer forma de ajuda, agora mesmo assuma o compromisso de evitar que os outros tenham "peninha" de você. Erga a cabeça, mesmo que a dor o queira vencer.
Brilhem seus olhos. Sorriam sempre seus lábios. Substitua seus ais pelas notas de qualquer musiquinha animada. Não peça.
Ofereça. Não capitule diante do velho hábito de posar de coitadinho.
Mesmo que você esteja em sofrimento, no chão, em pedaços, quando alguém lhe dirigir o convencional "como vai?",
responda-lhe sorrindo: "Vou bem. Não vou melhor para não fazer inveja".
Experimente este miraculoso tratamento.
Abaixo as lamúrias! Nunca mais a autopiedade nem a piedade dos outros!"


Professor Hermógenes (Yoga para Nervosos - O mendigo e o abastado)


Segue esse vídeo engraçadíssimo para descontrair:

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CHEGOU O VERÃO


Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura
e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água
da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no
tênis.

Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a
prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do
sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão
chegando.

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa,
toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de
férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados
e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação,
as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho
afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do
chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra
fincar o cabo do guarda-sol.

É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar
em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da
maravilha que é entrar no mar!

Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de
cerveja no fundo.

Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita
cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o
chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!

Mas, claro, tudo tem seu lado bom.

E à noite o sol vai embora.

Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma
banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.

O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa,
desde creme de barbear até desinfetante de privada.

As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia
oferece.

Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede
pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.

Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo
possa se encontrar no mesmo inferno tropical...
Luis Fernando Veríssimo

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Diferenças entre HOMENS e MULHERES



APELIDOS
- Se Adriana, Silvana, Débora e Luciana vão almoçar juntas, elas chamarão
umas às outras de Dri, Sil, Dé e Lu.
- Se Leandro,  Carlos, Roberto e João saem juntos, eles afetuosamente se
referirão uns aos outros como Gordo, Cabeção, Rato e Negão.



COMENDO FORA
- Quando a conta  chega, Paulo, Carlos, Roberto e João jogam na mesa R$
20,00 cada um, mesmo sendo a conta apenas R$ 32,50. Nenhum deles terá
trocado e nenhum vai ao menos admitir que quer troco - logo o troco será
convertido em saideiras.
- Quando as garotas recebem sua conta, aparecem as calculadoras de bolso e
todas procuram pelas moedinhas exatas dentro da bolsa.

FILMES
- A ideia que uma mulher faz de um bom filme é aquele em que uma só pessoa
morre bem devagarzinho, de preferência por amor.
- Um homem considera um bom filme aquele em que muita gente morre bem
depressa, se possível com balas de metralhadora ou em grandes explosões.

DINHEIRO
- Um homem pagará R$ 2,00 por um item que vale R$ 1,00, mas que ele
precisa.
- Uma mulher pagará R$ 1,00 por um item que vale R$ 2,00, mas que ela não
precisa.

BANHEIROS
- Um homem tem seis itens em seu banheiro: escova de dentes, pente, espuma
de barbear, barbeador, sabonete e uma toalha de hotel.
- A quantidade média de itens em um banheiro feminino é de 756. E um homem
não consegue identificar a maioria deles.


DISCUSSÕES
- Uma mulher tem a última palavra em qualquer discussão.
- Por definição, qualquer coisa que um homem disser depois disso, já é o
começo de uma outra discussão..

FUTURO
- Uma mulher se preocupa com o futuro até conseguir um marido.
- Um homem nunca se preocupa com o futuro até que consiga uma esposa.

MUDANÇAS
- Uma mulher casa-se com um homem esperando que ele mude, mas ele não
muda.
- Um homem casa-se com uma mulher esperando que ela não mude, mas ela muda.

DIVIDINDO
- Uma mulher dividirá seus pensamentos e sentimentos mais profundos com um
completo estranho que lhe dê atenção.
- Um homem só dividirá seus pensamentos e sentimentos mais profundos quando
questionado por um advogado artimanhoso, sob juramento, e mesmo assim,
apenas quando isso puder diminuir a sua pena.

AMIZADE
- A mulher encontra com outra na rua: 'Nossa como você tá linda!!!'.
Quando viram as costas vêm o comentário: 'Nossa como ela tá gorda!'

- Um homem encontra com outro na rua: 'Fala seu gordo-careca-bichona!!!'.
Quando viram as costas vem o comentário: 'Pô, esse cara é gente fina!'

 . . . É mentira?
(AUTOR DESCONHECIDO, se alguém souber a autoria me informem)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Keith Haring



Hoje, andando numa livraria dei de cara com o trabalho desse artista.
Pesquisei sobre a biografia dele e vou postar alguns trabalhos dele que eu amei!


Keith Haring foi um artista gráfico e ativista estadunidense. Seu trabalho reflete a cultura nova-iorquina dos anos 80.
Nascido no estado de Pensilvânia, cedo mostrou interesse pelas artes plásticas.  De 1976 até 1978 estudou design gráfico numa escola de arte em Pittsburgh. Antes de acabar o curso, transfere-se para Nova Iorque, onde seria grandemente influenciado pelos graffitis, inscrevendo-se na School of Visual Arts. Homossexual assumido, o seu trabalho reflecte também um conjunto de temas homo-eróticos.
Keith Haring começou a ganhar notoriedade ao desenhar a giz nas estações de metrô de Nova Iorque. 
Na mesma década, participou em diversas bienais e pintou diversos murais pelo mundo - de Sydney a Amsterdam e mesmo no Muro de Berlim. 
Em 1988, abre um Pop Shop em Tóquio. Na ocasião, afirma:

"Em minha vida fiz muitas coisas, ganhei muito dinheiro e me diverti muito. Mas também vivi em Nova Iorque nos anos do ápice da promiscuidade sexual. Se eu não pegar AIDS, ninguém mais pegará."

Meses depois declara em entrevista à revista Rolling Stone que tem o vírus HIV. Em seguida, cria a Keith Haring Foundation, em favor das crianças vítimas da AIDS.
Em 1989, perto da igreja de Sant'Antonio Abate, em Pisa, Itália executa a sua última obra pública - o grande mural intitulado Tuttomondo, dedicado à paz universal.
Haring morreu aos 31 anos de idade, vítima de complicações de saúde relacionadas a AIDS, tendo sido um forte activista contra a doença, que abordou mais que uma vez em suas pinturas.
(1958/1990)

















quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Eu Maior

EU MAIOR traz uma reflexão contemporânea sobre autoconhecimento e busca da felicidade, por meio de entrevistas com expoentes de diferentes áreas, incluindo líderes espirituais, intelectuais, artistas e esportistas.  Um filme sobre questões essenciais e universais, numa época de grandes transformações e desafios, que pedem níveis mais altos de discernimento e consciência individual.
Com duração prevista de 100 minutos, EU MAIOR está em fase de produção.  O lançamento, em 2011, se dará progressivamente em cinema, tv, dvd e internet - onde a veiculação será gratuita.  Neste site você poderá saber mais sobre o documentário, assistir a trechos das entrevistas que já foram gravadas, e juntar-se às pessoas e instituições que estão apoiando este projeto inovador.
TRAILER:

ALGUMAS ENTREVISTAS







Minhas Plantas

Há alguns anos comecei a colecionar cactos e suculentas. Como esse tipo de planta não necessita muitos cuidados, achei uma boa ideia. Pois eu sempre fui desligada com plantas, flores, e nunca sabia como cuidar e além do mais, não tinha nenhuma paciência. Sempre morei em apartamento, o que dificultava ainda mais.
Quando comecei a coleção, morava com meus pais em um ap super ensolarado, que tinha uma sacada muito boa. Aí gostei tanto, que comecei a participar de comunidades no orkut de trocas de sementes de cactos, além de estudar mais a respeito.
Li um texto muito legal sobre os cactos:

"Segundo o Feng Shui os cactos são considerados Guardiões, por serem purificadores de ambientes e, de acordo com os especialistas desta técnica milenar, os cactos agem como uma barreira para os raios gama emitidos por computadores e aparelhos de TV. Os cactos, por viverem em regiões áridas e isoladas, ajudam as pessoas a conhecerem a sua força interna em momentos de solidão. Pelo fato de os cactos armazenarem água (elemento que simboliza sentimentos e emoções) dentro do caule, o mesmo favorece aqueles que se defendem muito das próprias emoções. Os espinhos podem parecer hostis, mas fazem parte da estratégia de sobrevivência da planta, natural de clima árido e terrenos difíceis, transmitindo proteção e segurança ao seu portador. Tê-las por perto é um lembrete de vitalidade, persistência e integração com tudo o que está a nossa volta."


Agora que moro numa casa, não só coleciono cactos e suculentas, mas ando plantando de tudo.
E é uma delícia cuidar das plantas, ver elas crescerem. É uma terapia!!!
Já postei um artigo aqui no blog sobre as Rosas do Deserto, que também estou cultivando. Essas são mais complicadinhas. 

Então vou postar aqui as fotos do meu "jardim"!!!

CACTOS E SUCULENTAS











ROSAS DO DESERTO

Preparo

Deixando as sementes de molho

Estufa de garrafa PET

Tampei os banquinhos pq plantei no inverno, 
então literalmente improvisei uma estufa melhor!

Tirei essa foto hoje. Estou achando que elas estão demorando pra crescer. 
E muitas folhas estão amarelando. Vamos esperar pra ver.
Elas já estão com uns 6 meses pelo menos.


CANTEIRO





As primeiras flores de jasmim!!!


Violetas e Orquídeas

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Retrospectiva Interior


Todo fim de ano é igual. A gente sente uma energia diferente no ar.
 As pessoas ficam mais agitadas, estressadas, correm contra o tempo, querem por em ordem tudo que foi deixado para última hora. O prazo está se esgotando. Ansiedade máxima para curtir enfim, as festas de fim de ano com as pessoas queridas, viajar, aproveitar as férias.
Muita gente chega nessa época do ano frustrada, pelas coisas que não conseguiu fazer no ano que se passou. São aquelas famosas resoluções que começam no início do ano, em que traçamos as metas e objetivos que queremos alcançar, e que muitas vezes, nem passam perto de se concretizar.
Então chegou a hora de realmente fazer esse movimento, sem esperar a chegada do novo ano. Ainda há tempo.
Siga as instruções:
- Comece pela faxina: jogue fora toda a “tralha” acumulada em casa. Doe roupas usadas, revistas velhas. Jogue fora papéis, recibos, objetos quebrados, remédios vencidos. Quando a casa está bagunçada, nossa mente acompanha a bagunça. Nos sentimos mais cansados, travados. Essa faxina vai melhorar a saúde, a criatividade, como se um peso enorme saísse de cima de você.
- Feita a faxina, pegue papel e caneta. Escreva as melhores coisas que aconteceram no ano que passou. Escreva também, as piores coisas e também aquelas que você gostaria que tivessem acontecido.
- Agora faça um balanço: o saldo foi positivo? Se não foi, o que você poderia ter feito para que fosse?
- Se você magoou alguém, ou está numa situação mal resolvida, vá atrás, peça desculpas. Não espere que o outro faça aquilo que pode partir de você. Orgulho é perda de tempo.
- Lembre-se: muitas vezes colocamos a culpa nos outros, ou damos as famosas desculpas para explicar nossos fracassos. Só que na grande maioria das vezes, o único culpado é você mesmo.
- Agora vem a melhor parte: não se apegue a nenhum desses fracassos. Eles passaram. Com certeza te ensinaram alguma coisa. Lamentar o que não deu certo, remoer o passado, guardar mágoas e ressentimentos não é VIDA. Vida é o presente, o aqui e agora.
- Então escreva tuas maiores qualidades, e também coloque os pontos que tem que melhorar.
- Feito tudo isso, acredite sim, que dessa vez será diferente e melhor.
Você não precisou esperar o Ano Novo para agir. A principal mudança vem de dentro, e o que você irá colher, vai ser fruto desse movimento interno.
- Então, depois disso tudo, faça planos para o ano que vem, lembrando que para ter sucesso, tem que acreditar em você mesmo e ir à luta!


Nada é permanente, salvo a mudança.
(Heráclito)

ByNina


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Escutatória - por Rubem Alves


Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.
Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil.
Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não "evangélico"), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino... Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar.
A música acontece no silêncio.
É preciso que todos os ruídos cessem.
No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou.
A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada.
Somos todos olhos e ouvidos.
Me veio agora a ideia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
 (Rubem Alves)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ser Chique Sempre - por Gloria Kalil


Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.
A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.
Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo
 carro Italiano.
O que faz uma  pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma
 como ela se comporta perante a vida.
Chique mesmo é quem fala baixo.

Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.
Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.

É lembrar do aniversário dos amigos.
Chique mesmo é não se exceder jamais!

Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.
É "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra,

ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!
Mas  para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de  se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia.
Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.
Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!
Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas amor e fé nos tornam humanos!
(Gloria Kalil)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Prêmio Dardos



Acabei de receber esse selo da minha tia e chef de cozinha Edna Born. O blog dela é http://ehbb.blogspot.com. Confiram que vale a pena!
Fiquei muito feliz com a indicação dela. Este selo é para os blogueiros que transmitem valores culturais, éticos, literários, dicas pessoais, musicais... enfim, que demonstram sua criatividade através do pensamento vivo, que permanece intacto entre suas letras e palavras.



Regras

a) Exibir a imagem do selo em seu blog;

b) Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação;

c) Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos;

d) Avisar os escolhidos...


Segue minhas indicações, em ordem alfabética*:


Ana Carolina Bahr: http://caracoltips.blogspot.com/
Edna Born: http://ehbb.blogspot.com/
Fanny Kriegel: http://zigzagquilt-fanny.blogspot.com/
Gisela Rao: http://vigilantesdaautoestima.zip.net/
Ivy Lipsky: http://ivylipsky.blogspot.com/
Natasha De Rose: http://glamtokill.blogspot.com/
Roberta Thomaz Bruscagin: http://proutsp.blogspot.com/



ATENÇÃO

Muitas imagens do BLOG são fonte de pesquisa na internet.
As imagens que incluem o ByNina na lateral são criadas por mim, geralmente pego frases de outros autores, citando o mesmo e imagens de fundo disponíveis na internet.
Todas as frases e pensamentos com a assinatura ByNina embaixo da arte são de minha autoria.
Lembre-se sempre de citar a fonte quando compartilhar.
E se alguma imagem tiver direitos autorais, entre em contato comigo através do e-mail bynina@hotmail.com que cito o autor ou retiro imediatamente.
Obrigada pela compreensão!

Carolina Carvalho
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...