sexta-feira, 15 de março de 2013

Eu não sou "boazinha"




Não sou boazinha.
Já fiz mal a mim mesma.

Já fiz mal para os outros.
Já cometi o mesmo erro mais de uma vez.
Já disse sim, quando deveria dizer não.
E o contrário.
Já perdi tempo demais me culpando
e demorei mais que deveria para me perdoar.
Já falei o que não devia, e calei quando mais precisava falar.
Machuquei pessoas pelas minhas palavras mal pensadas.
Machuquei pessoas pelos meus atos impulsivos.
Errei muitas vezes tentando acertar.
E acertei muitas vezes pensando errar.
E por mais que eu sempre procure fazer o melhor,
nem sempre consigo agradar. E me agradar.

Por isso sempre desconfiei de gente “boazinha” demais.

Gosto de gente de verdade.
De gente que ri e que chora.
De gente que olha no teu olho e fala o que pensa.
De gente que briga e depois pede desculpas.
De gente que admite que errou.
De gente que fala bobagem, mas que sabe falar sério.
Gosto de gente autêntica, não gosto de cópia.
E como tem gente por aí que parece ter saído de uma máquina da “Xerox”.
Tenho medo desse tipo de gente.
De gente que sorri amarelo o tempo todo.
De gente que se esforça para mostrar aos outros sua suposta bondade.
Gente que se esforça para mostrar aos outros sua suposta perfeição.
Gente que só se esforça para mostrar aos outros qualquer coisa.

Porque se depender de ter que mostrar aos outros qualquer coisa,
nunca vou ser "boazinha", pois vou continuar cometendo erros.
Novos eu espero, porque dos antigos já estou cheia.
Mesmo assim eu tento cada dia ser melhor pra mim mesma.
Pois quando sou boa para mim, posso ser boa para alguém.
E mesmo sendo boa, por favor, entenda e não confunda:
Nunca vou ser “boazinha”.

Carolina Carvalho (ByNina)



"Não há gente completamente boa nem gente completamente má, está tudo misturado e a 
separação é impossível. 
O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. 
Às vezes a gente melhora. Mas passa. 
E que interessa o castigo ou o prêmio?
Tudo muda tanto que a pessoa que pecou na véspera já não é a mesma a ser punida no dia seguinte."
(Lygia Fagundes Telles)


Um comentário:

  1. "Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
    abatido na extrema paliçada
    os professores falavam da vontade de dominar e da
    luta pela vida
    as senhoras católicas são piedosas
    os comunistas são piedosos
    os comerciantes são piedosos
    só eu não sou piedoso
    se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
    aos sábados à noite
    eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
    cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
    bóia? por que prego afunda?
    eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
    estátuas de fortes dentaduras
    iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
    pederastas ou barbudos
    eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
    que tenho todas as virtudes
    eu não sou piedoso
    eu nunca poderei ser piedoso
    meus olhos retinem e tingem-se de verde
    Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
    pavimentos
    os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
    asfixiadas
    arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
    dos meus sonhos"

    R. Piva

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Nina

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Carolina Carvalho
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